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Reuters: Ibovespa termina no zero a zero semana com Fed e desconforto fiscal
A Bovespa, nesta sexta-feira, engatou a terceira semana consecutiva com sinal negativo, reflexo da piora em Wall Street e do desconforto com a cena fiscal no país e do comportamento dos preços, particularmente os IGP-Ms, que tem estressado os juros futuros longos. O Ibovespa fechou em queda de 1,81%, a 98.289,71 pontos, com variação negativa de 0,08% na semana e de 1,09% mês. No ano, amarga declínio de 15,01%. O volume do pregão somou 28 bilhões de reais.

A Bovespa engatou a terceira semana consecutiva com sinal negativo, mesmo que discreto, nesta sexta-feira, quando o Ibovespa fechou novamente no patamar dos 98 mil pontos, reflexo da piora em Wall Street e desconforto com a cena fiscal no país.

Em meio a desavenças entre o presidente Jair Bolsonaro e sua equipe econômica, investidores seguem melindrados com as perspectivas para as contas públicas, em um momento no que a economia ainda sofre com os efeitos da pandemia de Covid-19.

Dúvidas crescentes sobre a capacidade do Tesouro Nacional de refinanciar a dívida pública e o desconforto com o comportamento dos preços, particularmente os IGP-Ms, tem estressado os juros futuros longos e contaminado outros mercados.

No caso da bolsa, um dos principais suportes para a recuperação desde as mínimas de março é justamente o alívio na taxa estrutural de juros, não apenas a Selic, que está no piso histórico de 2% ao ano.

Do cenário externo, nem o tom 'dovish' do Federal Reserve conseguiu empolgar agentes financeiros, que voltaram a embolsar lucros em Wall Street, em meio a sinais mostrando estagnação da retomada da atividade econômica norte-americana.

Para Filipe Villegas, estrategista da Genial Investimentos, os eventos da semana, particularmente as reuniões do Fed e do Banco Central brasileiro, não trouxeram novidades relevantes.

"Eu vejo o investidor pouco motivado a fazer posições mais fortes no mercado pela falta de novidades e notícias, mas vejo que mesmo essa falta de notícias não foi suficiente para que o investidor saísse do mercado de maneira tão forte", observou.

De acordo com Villegas, o que tem acontecido na bolsa é uma rotação setorial, com o investidor saindo de posições vencedoras no ano para papéis que estariam atrasados em busca de retornos mais atrativos. "Mas mais seletivo", ressaltou.

Do ponto de vista gráfico, ele avaliou que o Ibovespa está bastante consolidado no intervalo de 98 mil a 100 mil pontos. "Mas se o Ibovespa perder esse patamar (de 98 mil pontos), pode sinalizar uma movimentação mais forte de queda", ponderou.

Gestores e estrategistas também têm citado onda de ofertas de ações - IPOs e follow-ons - no mercado brasileiro em 2020 como mais uma componente que tem ajudado a deixar o Ibovespa oscilando em um intervalo razoavelmente curto.

Apenas neste ano, já ocorreram cerca de 30 ofertas (IPOs e follow ons), de acordo com dados disponíveis no site da B3, e há em torno de 50 ofertas iniciais engatilhadas, segundo registros na Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

"Isso faz com que o mercado fique sobreofertado em termos de fluxo", disse o gestor Guilherme Motta, da GAP Asset.

Nesta sexta-feira, o Ibovespa fechou em queda de 1,81%, a 98.289,71 pontos, com variação negativa de 0,08% na semana e de 1,09% mês. No ano, amarga declínio de 15,01%.

O índice Small Caps recuou 1,94%, a 2.402,89 pontos, com alta de 0,71% na semana e baixa de 1,34% no mês. No acumulado de 2020, registra queda de 15,42%.

O volume negociado no pregão nesta sexta-feira somou 28 bilhões de reais.


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